O Estado da Inovação no Brasil

  • Delicious
  • Facebook
  • Digg
  • Reddit
  • StumbleUpon
  • Twitter

inovacaoAutora: Janaina Portugal Pinto
Mestranda da Queen Mary University of London.
[Copiado e colado da lista de discussão:
altatecnologia@yahoogrupos.com.br]

A matéria publicada na internet no JC 3664, de 17 de Dezembro de 2008,sob o título “O estado da inovação no Brasil”, me deixou intrigada.

Aparentemente não se sabe se os recursos que o governo vem oferecendo à inovação no país têm efeito “de adicionalidade” ou “de deslocamento”. (O efeito de adicionalidade, pelo que entendi, é quando as empresas continuam investindo, apesar dos recursos governamentais. Enquanto que o efeito de deslocamento é quando as empresas deixam de investir recursos próprios em P&D.)

No meu ponto de vista, os dois efeitos ocorrem no Brasil. Tanto o “deslocamento” nas áreas da PITCE, quanto o efeito da “adicionalidade” nas áreas não prioritárias.

Também não se tem a resposta para explicar o motivo pelo qual o número de patentes brasileiras está estagnado, com tendência ao declínio. Tampouco se tem uma fórmula para tornar a inovação universal no país, apesar do reconhecimento de que o modelo de inovação ainda não funciona bem para a média indústria, que recolhe impostos pelo lucro presumido ao invés do lucro real.

Para abordar o tema supra referido, primeiramente é necessário lembrar que a inovação na indústria não acontece por acaso. Ela precisa estar inserida num contexto comercial, seja visando novos mercados (exportação), seja para ganhar competitividade.

O cenário atual é de recessão, cumulado com crise, Real ainda relativamente forte com relação ao dólar americano, elevados impostos de importação e burocracia alfandegária. Neste contexto, data venia, não existe um motivo financeiro para a indústria inovar. Já a inovação, por uma questão social ou filosófica, tem limites.

Do ponto de vista industrial, a competição está sob controle e o acesso a novos mercados não parece oportuno no momento. Portanto, apesar dos esforços no sentido de, digamos, colocar a inovação para frente; acredito que a estratégia da indústria seja apenas a de gerenciar e manter as suas frações de mercado.

Por outro lado, o perfil do consumidor no Brasil não ajuda, pois o brasileiro médio é atraído pelo fator PREÇO. A inovação chega ao mercado cara, notadamente até ser cumprido o prazo de amortização dos investimentos em P&D. Esses investimentos, sem o chamado efeito “de deslocamento”, a empresa só irá fazer na medida em que estiver listada no mercado de capitais, haja vista a dificuldade e o alto custo de alavancagem pelo sistema bancário.

Mas e o mercado júnior da Bolsa de Valores para média empresas do Brasil? Está engatinhando, com uma ou duas empresas listadas no BOVESPA MAIS. (São necessárias pelo menos 100 empresas listadas para se ter um mercado júnior viável) As patentes podem não estar crescendo em termos de número de depósito, mas com certeza os segredos industriais aumentaram. Na área química e de biotecnologia, criações podem ser protegidas por fórmulas e processos sigilosos. (Eventualmente o depósito de uma patente de processo pode até comprometer a estratégia comercial, ou fornecer dicas de inovação para uma empresa concorrente, findo o chamado prazo de sigilo.)

Outro motivo pelo qual entendo que as patentes não estão crescendo, é porque as Universidades estão falhando em ensinar aos alunos de engenharia a redigir um pedido de patente. Por vezes, já trabalhei com alunos do último ano do curso se engenharia que não sabiam a diferença entre um plano de marketing e um pedido de patente. Diria que é um absurdo, se não fosse pelo fato de que, nas duas instituições de ensino superior privadas que freqüentei no Brasil entre 1995 e 2002 (FDMC, FGV), nunca, um professor sequer, mencionou a existência de “westlaw”, “lexisnexis”, ou qualquer outra base de dados de pesquisa universitária.

Há coisas que podem não estar no currículo acadêmico, mas precisam ser ditas aos alunos, bem como indicado o local e meios de acesso aos recursos e ao conhecimento. Por fim, no meu entender, o sonho de “inovação universal” começa pela “universalização do Portal Capes”. Não que o Portal deva ser oferecido de graça, mas que ele possa ser acessado de qualquer instituição de ensino superior pública ou privada. (No momento o Portal está disponível para apenas 191 instituições, conforme informa o site).

Fonte para o artigo “O Estado da Inovação”:
- http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60607
- http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp

Related Posts with Thumbnails