Os cinco defeitos de um general segundo Sun Tzu

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suntzu“… devo te prevenir contra cinco defeitos que, embora pareçam inócuos, são perniciosos e representam obstáculos funestos que a prudência e a bravura mais de uma vez.

1 – O primeiro é o entusiasmo excessivo em enfrentar a morte, atitude temerária que se honra com o nome de ‘coragem’, ‘intrepidez’ e ‘valor’ mas, no fundo, só merece o de ‘covardia’. Um general que se expões sem necessidade, como se fosse simples soldado, que parece buscar os perigos da morte, que combate e manda combater até o limite, é um homem que merece morrer. É um homem precipitado, incapaz de encontrar recursos para safar-se de um mal momento. É um covarde, incapaz de sofrer o menor revés sem se frustrar, acreditando que tudo está perdido, se não sair exatamente como planejara.

2 – O segundo perigo é o cuidado exorbitante em conservar a vida. Acreditando-se necessário ao exército inteiro, o general dá mostras de covardia. Não ousa, por essa razão, abastecer-se às custas do inimigo. Tem medo de tudo, até da própria sombra. Hesita, à espera de uma ocasião mais favorável. Perde o que aparece, não toma nenhuma iniciativa. Mas o inimigo, que está sempre à espreita, aproveita-se, fazendo com que um general assim temeroso perca toda esperança. O adversário o enredará, lhe interceptará o abastecimento e o fará perecer pelo amor demasiado que tinha em preservar a própria vida.

3 – O terceiro perigo é a cólera. Um general que não sabe se controlar, que não tem império sobre si mesmo, e se deixa arrebatar pela ira ou pela cólera, será ludibriado pelos inimigos. Estes o provocarão, lhe armarão mil emboscadas que sua irascibilidade impedirá de reconhecer, e nas quais infalivelmente cairá.

4 – O quarto perigo é a excessiva suscetibilidade. Um general não deve se ofender de forma intempestiva e despropositada. Por querer reparar a honra apenas levemente ofendida, corre o risco de perdê-la irremediavelmente. Deve dissimular. Não deve se desencorajar depois de alguns fracassos, nem acreditar que tudo está perdido porque cometeu algum erro ou sofreu algum revés.

5 – O quinto perigo é a complacência ou a compaixão desmedida em relação aos soldados. Um general que não ousa punir, que fecha os olhos para a desordem, que teme que os soldados estejam sempre vergados sob o peso do trabalho, não ousando, por essa razão, impor-lhes novas tarefas, é um general fadado ao fracasso. Os subordinados devem sempre ser punidos. É preciso que sofram provocações. Se quiseres tirar partido do serviço dos soldados, mantém-nos sempre ocupados, não permitas que fiquem ociosos. Pune-os com severidade, mas sem rigor excessivo. Ministra castigos e trabalho, com discernimento.

Um general hábil evita todos esses defeitos. Sem procurar desesperadamente viver ou morrer, deve conduzir-se com prudência e coragem, segundo as circunstâncias.

Se há justas razões para encolerizar, que o faça, mas não imite a ferocidade do tigre.

Se crê que sua honra está maculada e quer repará-la, que siga as regras da sabedoria, e não a suscetibilidade advinda de uma reputação comprometida.

Que ame seus soldados e os poupe, mas com moderação.

Combatendo, movimentando-se, sitiando cidades, fazendo ofensivas, deve conjugar a astúcia à valentia, a sabedoria à força das armas. Deve saber reparar seus erros, quando tiver a infelicidade de cometê-los, aproveitando todos os erros do e induzindo-o a cometer outros.”

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