Mudança que dá gosto

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sucesso_01Os olhos brilham e a voz muda de timbre quando Marcelo Beyruti, 31 anos, conta a história do negócio que criou com o pai, Nelson Beyruti, 62 anos. Especializada em sobremesas congeladas, a Mr. Bey Sobremesas Premium fabrica em média 60 toneladas de doces mensalmente, distribuídos para mais de 400 cidades em 12 estados. Com conquistas dignas de grandes companhias, a fábrica de Campinas, no interior de São Paulo, tem estrutura enxuta de 100 funcionários e linha de produção que mescla processos automatizados e artesanais. Crescendo de 25% a 30% ao ano desde 2005, a Mr. Bey espera faturar R$ 13 milhões em 2009, 20% a mais do que no ano passado. Um dos ícones de seu sucesso são os supermercados Pão de Açúcar, que colocam as tortas e bolos da dupla nas prateleiras ao lado de nomes conhecidos, como a linha Miss Daisy, da Sadia. “Entrar no mercado por uma das maiores redes de supermercado do país facilitou as negociações com outros varejistas”, diz Marcelo.

Apesar de a marca ter sido lançada em 2005, sua origem remonta a 1998, quando Nelson e Marcelo começaram a produzir coalhada seca. A combinação da tradição libanesa da família com a observação atenta às necessidades dos consumidores, resultou em uma mercadoria inédita: a iguaria árabe industrializada, com validade de 30 dias. O feito foi responsável por abrir as portas do Grupo Pão de Açúcar para a empresa, então batizada Alibey Alimentos Especiais. “Além de identificar uma oportunidade, eles entenderam as necessidades dos clientes em termos de qualidade, embalagens, preços e logística”, afirma Roberto Nascimento de Oliveira, professor do Núcleo de Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Para Mariangela Ikeda, diretora comercial de perecíveis do Grupo Pão de Açúcar, os maiores diferenciais dos Beyruti são a qualidade e a padronização, combinação difícil de encontrar entre os pequenos fornecedores de confeitaria. “São produtos voltados para as classes AA e AB”, diz.

Em 2000, dois anos após o lançamento da coalhada, o olhar atento de Marcelo identificou um novo nicho para expandir os negócios. Durante uma visita a um pequeno supermercado de bairro para garantir boa exposição aos seus produtos, o empresário percebeu que um doce do setor de confeitaria fazia muito sucesso com a clientela. Era um pequeno bolo com recheio de chocolate quente, o petit gâteau, que começava a aparecer em restaurantes renomados, mas ainda não era encontrado congelado para consumo em casa. O espírito arrojado de Marcelo identificou ali uma oportunidade que mudou o rumo da empresa. Com muita conversa, o filho convenceu o pai, mais conservador, a aceitar a empreitada de se transformarem nos primeiros brasileiros a industrializar a sobremesa. “Era uma mudança grande no foco, por isso fui resistente no início”, lembra Nelson. Em apenas um ano, as vendas do petit gâteau ultrapassaram as da coalhada.

Os sócios então perceberam que a estrutura física da Alibey, com apenas 20 funcionários, não suportaria o crescimento que vinha à frente. “Seria insano manter-nos no mercado com apenas dois produtos e não tínhamos condições para fabricar outros”, afirma Marcelo. A solução escolhida pela dupla foi ousada: comprar a Holandesa & Cia., empresa com mais que o dobro de seu tamanho. A estratégia previa também o lançamento da marca Mr. Bey, deixando à Alibey somente a produção da coalhada. Sem revelar valores da transação, Marcelo conta que parte do pagamento foi feita com recursos próprios e parte com o faturamento da fábrica nos meses seguintes.

Fonte: PEGN
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