Criar valor em outros países é o maior desafio das empresas na globalização

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joseNum mundo interconectado 24 horas por dia, em que o alcance das companhias a outros mercados é inédito, a maior dificuldade para as empresas é conseguir criar valor fora de suas fronteiras, defende José Santos, professor de Práticas de Gestão Global do INSEAD.

Em palestra realizada na ExpoGestão 2009, em Joinville, nesta quinta-feira (18/6), o acadêmico português chamou atenção para essa aparente contradição. “Todo mundo se ouve, mas ninguém se entende. Esse é o grande desafio. Hoje é muito fácil alcançar o outro país, comprar produtos ou oferecer serviços no exterior, mas é muito difícil conseguir ter valor em outro país”.

O verdadeiro desafio para o sucesso das empresas multinacionais estaria então em adaptar o que a companhia faz em outras regiões. “É fazer-se compreender por pessoas de outras culturas. Sushi, em japonês, por exemplo, significa arroz avinagrado, ao contrário do que poderíamos supor. Nós vemos o peixe, eles vêem o arroz”.

Santos cita como um dos exemplos malsucedidos de adaptação à entrada do Wal-Mart na Alemanha, que por sete anos teve perdas bilionárias até decidir deixar o país. “No Japão, as operações também não vão bem. Por outro lado, no Reino Unido, eles têm bons resultados. Lá eles não mudaram o nome da loja que compraram, a Asda. Talvez isso tenha alguma relação”.

Na outra ponta, para o acadêmico, a Starbucks é considerada como um caso onde essa estratégia foi bem pensada. “Ela nada mais é do que uma adaptação do estilo italiano e austríaco de cafés que conseguiu ser montada por um americano para os padrões dos EUA”.

O grande problema das multinacionais, de acordo com Santos, é que seus dirigentes globais não conseguem se integrar. “Foi o que arruinou a GM. O fracasso da montadora foi fruto de má gestão, não de problemas na economia”.

Segundo o professor, as empresas, para serem bem sucedidas em suas operações internacionais, precisam ser o que ele chama de ‘metanacionais’. Neste grupo, ele classifica, por exemplo, a brasileira Embraer e a Airbus.

Para ser chamada de metanacional, a companhia deve não apenas estar presente em outras partes do mundo, mas também abrigar em outros países conhecimentos que não estão presentes em sua sede. “A Embraer conseguiu combinar tecnologias de vários países visando, desde sempre, o mercado americano, que era o mais desenvolvido”.

Para fazer jus a essa classificação, é preciso, de acordo com Santos, construir uma empresa a partir do mundo. “Para fazer isso, é preciso conhecer o mundo. Aprender a colaborar à distância com outras nações e ser cosmopolita, sentir-se global. Fernando Pessoa já pressentia o que era isso”, conclui.

Fonte: Época Negócios
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