Modelos de negócios na internet pelo mundo
27 de agosto de 2009 CopiCola, Detector de oportunidades, Idéias inovadoras
A revolução digital transformou definitivamente a forma como nos relacionamos, fazemos negócios e adquirimos bens de consumo. Na Europa, mais de 80% da população adulta têm acesso a internet banda larga em casa e um terço já faz compras online regularmente. Para o pequeno empresário, encontrar um nicho de mercado parece ser o caminho mais rápido para o sucesso na web. Pequenos e médios empreendedores europeus e americanos contam como conseguiram inovar e se estabelecer no mundo digital.
Você ainda se lembra do tempo em que organizar as suas férias significava sair de casa e cruzar a cidade para fazer orçamentos em diversas agências de viagem? Não faz tanto tempo assim, mas com o mercado de varejo e viagens online em alta – faturou 116 bilhões de euros na Europa em 2008 segundo pesquisa da Forrester Research – a maioria das pessoas já esqueceu como os negócios funcionavam antes da revolução digital.
Comprar livros, passagens de avião e reservar hotéis na web já são práticas comuns. Porém, os consumidores dos países desenvolvidos estão indo mais longe. Em busca de conforto, tanto europeus quanto americanos estão expandindo cada vez mais a gama de produtos adquiridos online, comprando até mesmo roupas de luxo na internet.
Foi exatamente este nicho de mercado que despertou o interesse de Natalie Massenet, ex-editora das publicações de moda Tatler e Women’s Wear Daily. Em 2000, antes mesmo da bolha tecnológica explodir, Natalie inaugurou seu site de roupas de luxo chamado Net-a-porter, uma brincadeira com a expressão prêt-à-porter. Oferecendo roupas e acessórios de estilistas famosos como Stella McCartney, Jimmy Choo, Calvin Klein, Dolce & Gabbana, Marc Jacobs e DKNY, o Net-a-porter se tornou um dos e-tailers mais acessados do Reino Unido, com uma receita que atingiu 55,2 milhões de libras em 2007. O site tem, atualmente, mais de um milhão de usuários cadastrados. Segundo Natalie, o sucesso do Net-a-porter é uma prova de que se pode ter um negócio lucrativo na internet.
O pioneirismo do e-tailer de Natalie foi exemplo para que outros empreendimentos do setor de vestuários se estabelecessem na web. Segundo dados da Forrester, o comércio de roupas já figura entre os três maiores setores em vendas na internet e faturou cerca de 11 bilhões de euros na Europa no ano de 2008. Na França, as vendas de vestuário online já ultrapassaram até mesmo os setores de viagens e livros.
A inglesa Sarah Curran decidiu, em 2006, levar sua loja Powder para o mundo digital. “Os negócios da Powder iam bem, mas estávamos localizados no norte de Londres, área de acesso um pouco mais difícil, e eu queria expandir,” lembra Sarah. “Já tinha trabalhado como editora web no jornal The Times em Londres, então resolvi unir meus conhecimentos de internet e minha experiência no varejo para fundar o Mywaredrobe.com,” conta.
Com apoio do marido Andrew, a empresária vendeu sua casa e usou as 750 mil libras arrecadas como investimento inicial do negócio. Um ano mais tarde, conseguiu atrair mais 2,5 milhões de libras de diversos investidores para o seu projeto. “O investimento inicial para montar o Mywaredrobe.com foi alto pois envolveu o desenvolvimento de tecnologia muito avançada. Somos o único e-tailer que possibilita que o cliente compre diretamente de um vídeo. Viu um look que gostou? É só clicar e comprar,” diz Sarah.
Para superar a dificuldade de vender roupas na internet, já que a modelagem e diferentes tamanhos são um grande obstáculo, o Mywardrobe.com investiu pesado em serviço ao consumidor. Além de ter consultoras de estilo de plantão que podem tirar dúvidas por telefone, o cliente que comprar no site tem total liberdade para devolver o produto caso ele não sirva. Mesmo se simplesmente não gostar da peça, pode devolvê-la sem custos adicionais. Em 2008, o Mywaredrobe.com faturou mais de 5 milhões de libras e a previsão para 2009 é de 9 milhões de libras.
O cliente tem sempre razão
Serviço ao consumidor é a especialidade do e-business sueco Artificial Solutions. A empresa, criada em 2000, oferece soluções de inteligência artificial para clientes que querem, ao mesmo tempo, reduzir custos e manter a excelência no atendimento ao cliente.
O principal produto do negócio de Estocolmo é o agente de chat virtual, mais precisamente um bonequinho virtual dotado de inteligência artificial capaz de responder perguntas comuns que clientes têm quando querem comprar um determinado produto ou serviço online.
“Programamos o agente de chat virtual de forma que ele possa responder o maior número de dúvidas possíveis. Desse modo, somente as perguntas mais difíceis são encaminhadas ao call center,” diz o CEO da empresa Johan Ahlund.
Segundo Johan, as firmas que adotam a tecnologia da Artificial Solutions conseguem reduzir, em média, de 40% a 50% dos custos com atendimento ao cliente. “A crise econômica atual tem sido boa para nós, já que organizações de todo o mundo estão procurando formas inovadoras de cortar despesas,” conta Johan.
A empresa, que tem apenas 110 funcionários, já conquistou clientes como a gigante de móveis IKEA, o banco escandinavo Skandia e as empresas de telecomunicações Orange e SFR France. Em 2008, a Artificial Solutions teve receita de 8 milhões de euros.
Apesar dos excelentes retornos, Johan alerta que para manter um negócio como este é preciso estar sempre investindo no desenvolvimento e aprimoramento de novas tecnologias.
Investimento em tecnologia
Investimento pesado em tecnologia foi o que fez o site britânico de reservas em restaurantes Toptable. Fundado por Karen Hanton em 2000, o desenvolvimento e manutenção do e-business chegou a custar 4 milhões de libras. “O toptable foi criado numa época em que a tecnologia era muito mais cara,” diz o diretor do site Chris Wood. “Tenho certeza que se montássemos um site como esse agora, gastaríamos bem menos,” acrescenta.
Apesar disso, Chris ressalta que o fato do Toptable ter sido um dos pioneiros no ramo de reservas em restaurantes foi fundamental para o sucesso do empreendimento. “Tivemos mais tempo para nos estabelecermos e menos competição para nos preocuparmos,” diz.
O site, que surgiu da dificuldade de Karen em divulgar seu pequeno restaurante em Fullham, sudoeste de Londres, é atualmente um dos mais acessados do ramo na Europa. “Estamos presentes em 14 países e fazemos cerca de três milhões de reservas ao ano nos 30 mil estabelecimentos que temos cadastrados,” diz Chris. Segundo o diretor, o portal deve atingir receita de 8 milhões de libras em 2009. Tudo isso sem cobrar nada do internauta. “Não cobramos nem dos usuários nem dos restaurantes que querem ser listados. Nossa receita vem das reservas que fazemos. Os restaurantes pagam duas libras por cada pessoa que reserva via Toptable,” explica Chris. “Além disso, também lucramos com ofertas especiais que os estabelecimentos listados colocam em nossa página.”
Conteúdo free
Conteúdo gratuito também é um dos segredos do web business Canadense Modiface. Usando um dos vários aplicativos desenvolvidos pela empresa, consumidores e, principalmente, consumidoras de todo mundo podem ver como ficariam com uma cor de cabelo diferente, com cinco quilos a menos, ou até mesmo depois de um lifting facial.
Fundado em 2006 pelo pesquisador da Universidade de Toronto Parham Aarabi, o Modiface foi resultado de dez anos de desenvolvimento de tecnologia de ponta. “O que era um projeto de pesquisa interessante acabou atraindo empresas da indústria de cosméticos,” diz Parham. “O primeiro aplicativo que desenvolvi para ser comercializado permitia que clientes vissem anteriormente o resultado do tratamento anti-rugas que estavam prestes a fazer,” lembra.
Desde então, o site canadense criou inúmeros programas para gigantes da indústria de cosméticos e da cirurgia plástica como a empresa que inventou o Botox e a multinacional Procter & Gamble. “Acabamos de lançar uma parceria com a Procter & Gamble em que criamos um aplicativo para que as pessoas possam ver como ficariam com cabelos enrolados,” conta Parham.
A receita do Modiface, que chegou a pouco menos de US$ 1 milhão em 2008 e deve atingir quase US$ 2 milhões em 2009, vem exclusivamente de parcerias business-to-business. Para o internauta comum, o conteúdo é gratuito e pode ser acessado até mesmo através da comunidade virtual Facebook.
“Usamos o Facebook para divulgar nosso aplicativo de hairstyling. No inicio, tínhamos somente umas 100 pessoas na comunidade. Depois que anunciamos no veículo, o número de membros subiu para cinco mil em uma semana,” lembra Parham. “Daí em diante foi como um efeito viral. Um amigo foi passando o link para o outro e hoje temos quase 600 mil usuários.”
Quando questionado sobre planos para cobrar dos internautas o serviço, Parham diz que não acredita que esta seja uma boa forma de adicionar receita. De fato, dados da Forrester revelam que consumidores ainda não estão dispostos a pagar por conteúdo na internet.
Galeria virtual
Outro e-business que está tentando promover artistas independentes é o 20×200, uma galeria americana de arte online. Inaugurada em 2007, a e-gallery, de Nova York, tem o objetivo de trazer para o ambiente das artes tanto novos talentos quanto colecionadores amadores.
“Uma grande amiga minha era artista e vi a dificuldade que tinha em ter seu trabalho exposto e reconhecido. Também já tinha colecionado outras coisas mas não arte. Foi por isso que decidi abrir minha própria galeria em Nova York em 2003,” conta Jen Bekman, que só levou o negócio para a internet cinco anos mais tarde.
Segundo a curadora, o 20×200 foi uma extensão natural do trabalho que já fazia na galeria. “Já trabalhava com artistas independentes e tinha bastante experiência no meio digital. Escrevia newsletters e organizava concursos de fotografia na internet” diz Jen, que foi uma das pioneiras na criação de comunidades virtuais no final dos anos 90, tendo trabalhado para empresas como Netscape e Disney. “Assim, a criação do 20×200 foi uma combinação única das minhas experiências.”
Quando questionada sobre o nome da e-gallery, Jen explica que foi resultado do fato das peças mais baratas custarem somente US$ 20 e terem 200 reproduções. “Queria trazer arte para o mundo dos colecionadores amadores. Muita gente não arrisca colecionar arte já que este é um hobbie caro. Por isso o valor de US$ 20,” explica.
O site, que já vendeu mais de 40 mil peças de arte desde 2007, foi desenvolvido com um investimento inicial praticamente nulo, de acordo com Jen. “Eu tinha essa ideia e queria fazer acontecer. Então usei toda a experiência de web que tinha, pedi ajuda a amigos e contatos profissionais e assim surgiu o 20×200,” lembra.
Em 2009, a web galeria deve faturar pouco mais de US$ 1 milhão. Apesar disso, Jen insiste que não está no ramo por dinheiro. “Minha ideia era trazer arte para todos. Acredito profundamente que as pessoas devam viver mais com a arte e que isso não necessariamente significa ter cacife de colecionador profissional.”
Fonte: PEGN




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