Boas inovações precisam de um bom ambiente para ter sucesso
27 de fevereiro de 2010 CopiCola
“Se você planta boas sementes em um habitat pobre, com pouca chuva, vai ter resultados limitados. Nos negócios, acontece o mesmo: boas inovações precisam de um bom ambiente para ter sucesso em larga escala”, afirma William F. Miller, co-diretor do Programa de Regiões Inovadoras e Empreendedorismo da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos. Aos 83 anos, autor de quatro livros na área de tecnologia da informação, ele falou à Pequenas Empresas & Grandes Negócios durante o Fórum Global de Inovação e Empreendedorismo, que acontece em Florianópolis, sobre as chances das empresas brasileiras se internacionalizarem e sobre o papel das universidades na disseminação dos conhecimentos em prol do empreendedorismo.
Como se cria um ambiente propício para a inovação?
Não é algo que se faça do dia para a noite, leva tempo. O Vale do Silício, nos Estados Unidos, por exemplo, não virou referência de uma hora para outra. Desenvolveu-se aos poucos, adotando práticas que passaram a ser copiadas dentro e fora da América. Podemos dizer que existem algumas práticas que são essenciais para fomentar a inovação, entre elas: pesquisa científica constante na área de tecnologia; disponibilidade da mão-de-obra trabalhar por projeto e não fixa em uma única área; aliar investimento na pesquisa, no desenvolvimento, mas também no capital humano; ter uma mente aberta para os negócios e facilitar a comunicação, permitindo que, ao se comunicarem, as pessoas aprendam com as experiências das outras; mostrar-se disponível a investimento de fundos de venture capital, oferecendo boas oportunidades para que os investidores se mostrem dispostos a apostar nelas; promover conexões globais, o que significa tirar vantagens de onde a inovação acontece de forma mais produtiva; manter um ambiente que estimule o risco e não puna o erro, porque locais onde não se pode errar desestimulam o empreendedorismo. Tudo isso sem esquecer a qualidade de vida das pessoas, essencial para a prática da criatividade e da inovação.
Por que a Ásia é vista hoje como um dos continentes mais inovadores?
Os números crescem diante dos olhos quando se começa do zero. Foi isso que aconteceu com muitos países asiáticos. Não é errado afirmar que hoje o Japão é um dos países que mais gasta com inovação, mas não é o mais empreendedor. Já a China e Taiwan encabeçam a lista daqueles que mais transformam inovação em negócios rentáveis.
O que falta para a internacionalização das empresas brasileiras?
O Brasil figura no estudo do GEM como um dos países mais empreendedores do mundo. O que falta às empresas brasileiras é trabalhar com horizontes mais amplos, menos centradas no regional. É enxergar o mundo como o seu próprio quintal e buscar parcerias onde a inovação se faz latente. Quem está disposto a ampliar suas fronteiras tem que entender a cultura dos países com quem quer fazer negócios e adaptar seus produtos à essa realidade. Se respeitar essa conduta a maioria das empresas brasileiras tem condições de crescer no exterior.
Qual o papel da universidade na prática da inovação?
É muito importante, porque a academia concentra boa parte do conhecimento. Mas, acima de tudo a universidade tem que se preocupar com a qualidade do ensino, porque um país para crescer precisa ter boas escolas. Em segundo lugar, saber tornar a pesquisa acessível ao público em geral. Não dá para negar que é um grande desafio voltar-se ao mercado e ao mundo dos negócios, sem deixar de ser uma unidade de ensino forte.



